Pesquisa obras não objeto (Grupo 8)

Lygia Pape - Divisor (1968)
https://youtu.be/pipCLdQS7to?si=HkhYCowDqritJIwg

O Divisor, criado por Lygia Pape em 1968, é uma obra que quebra totalmente a ideia tradicional de arte como algo para ser apenas observado. A artista produziu um grande tecido branco, cheio de aberturas onde as pessoas podiam colocar a cabeça. A obra só acontece quando um grupo entra por baixo desse tecido e passa a caminhar junto, formando um corpo coletivo que se movimenta pelo espaço. O Divisor transforma o público em parte fundamental da obra, fazendo com que cada ativação seja diferente da outra.

Por isso, o Divisor pode ser entendido como um não-objeto. Ele não é apenas um pano estendido, não é algo que “exista” por si só como objeto material. Sua verdadeira forma aparece quando as pessoas participam: é o movimento coletivo, a coordenação dos corpos e a experiência compartilhada que dão sentido à obra. Assim como no conceito de não-objeto, o Divisor não se limita à matéria — ele se realiza no encontro, na sensação, na participação ativa e no tempo.

Dessa forma, o Divisor deixa de ser uma obra estática e vira uma experiência viva. Ele cria uma situação sensorial e social em que o público percebe o espaço, o outro e a si mesmo de um jeito novo. É justamente essa transformação da obra em acontecimento — e não em objeto — que faz o Divisor ser um exemplo claro de não-objeto, alinhado às propostas inovadoras do Neoconcretismo brasileiro.




Nicolas Schöffer - CYSP I (1956)
https://youtu.be/gJD27tJLoaQ?si=5lt3lELuLlaVvyJD

O CYSP I, criado por Nicolas Schöffer em 1956, é uma obra que mudou completamente a ideia de escultura. Em vez de ser algo parado, feito só para ser olhado, ele funciona como uma máquina artística que se move, reage à luz, ao som e até à presença das pessoas. Schöffer usou motores, sensores e refletores para que a obra tivesse um comportamento próprio, quase como se tivesse vida. Por isso, ela não existe de forma fixa: está sempre mudando, dependendo do ambiente onde está.

Por causa disso, o CYSP I pode ser entendido como um não-objeto. Ele não é apenas uma coisa material colocada num espaço, como uma escultura tradicional. O importante nele não é tanto a forma física, mas sim a experiência que ele cria. O não-objeto é justamente isso: algo que se realiza no encontro entre a obra e o espectador, no tempo, no movimento e na percepção. A obra deixa de ser um objeto parado e vira um acontecimento.

Então, o CYSP I é um não-objeto porque ele só faz sentido quando está em funcionamento, interagindo com o público e com o ambiente. Ele não se esgota na matéria; é uma obra que “acontece”. Essa qualidade dinâmica e interativa fez dele uma das peças mais importantes para o nascimento da arte tecnológica e da arte interativa como conhecemos hoje.




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